Ninguém falou que ia ser fácil, Alex Smith

(Foto: Douglas C. Pizac/AP)
Alex Smith nos tempos de faculdade no Utah Utes (Foto: Douglas C. Pizac/AP)

Pode parecer estranho, mas Alex Smith é um dos caras que me fizeram gostar de futebol americano. Minha torcida pelo San Francisco 49ers veio de um boné que ganhei do meu pai quando era pequeno, mas foi em 2005, o ano em que Smith foi selecionado com a primeira escolha do draft da NFL, que resolvi acompanhar mais de perto o time da Califórnia.

Eu não sabia muita coisa sobre o esporte da bola oval e não fazia a menor ideia de quem era esse jogador que os 49ers pegaram. Uma rápida busca por “Alex Smith” na internet logo me levou ao vídeo com os melhores momentos do Fiesta Bowl de 2005 (assista aqui), uma lavada de 35 a 7 do Utah Utes sobre o Pittsburgh Panthers. A atuação do camisa 11 dos Utes foi irretocável: 29/37, 328 jardas, quatro passes para TD, nenhuma interceptação e o MVP do jogo.

Foi assim, sem saber de muita coisa sobre a NFL, que virei seu fã e concluí, sem muitas dificuldades, que tínhamos um craque no time. O título era questão de tempo. Não foi bem assim. Tirando uns bons momentos em 2006, Smith não fez valer seu posto de escolha n° 1 do draft, e apesar de ser atrapalhado por contusões, seus números entre 2005 e 2010 não são de encher os olhos: 864/1.514 (57%), 9.399 jardas, 51 TDs e 46 interceptações. Muitos especialistas já colocavam o “bust” – termo usado para jogadores que saem primeiro no draft, mas que não viram nada – em sua testa.

Harbaugh, a fênix e a saída dos 49ers

Após cinco temporadas irregulares, Smith conheceu seu terceiro tutor, Jim Harbaugh. Ex-quarterback da NFL e irmão mais novo de John, técnico do Baltimore Ravens, Jim depositou um voto de confiança no camisa 11. O resultado? 19 vitórias, cinco derrotas, um empate, 30 TDs, apenas dez interceptações e uma final de NFC. No entanto, o ressurgimento de Alex não evitou que ele fosse substituído por Colin Kaepernick após sofrer uma concussão. Alheio ao status de segundo anista, Kaepernick assumiu a equipe e a levou ao Super Bowl, algo que seu antecessor não conseguira fazer nos seis anos anteriores.

Decididos a ficar com Colin, promessa recrutada pelo próprio Harbaugh, os 49ers foram ao mercado em busca de parceiros para negociar Smith. Como o draft de 2013 não é rico em QBs, de forma que nenhum deles é uma aposta certa para começar na NFL já como titular, o Kansas City Chiefs, que vive um problema na posição, desembolsou duas escolhas, sendo uma de 2ª rodada, para ficar com Alex. A transferência deve ser finalizada e anunciada no dia 12, data que marca a abertura da free agency da bola oval.

(Foto: Divulgação/Kansas City Chiefs)
Vida de Smith em Kansas City não será fácil (Foto: Divulgação/Kansas City Chiefs)

O que esperar de Smith em Kansas City?

A nova vida de Smith não será nada fácil. Se o San Francisco tivesse vencido o Super Bowl, o jogador teria ido do campeão da NFL para o lanterna da temporada. Portanto, é de se esperar que seu primeiro ano no Missouri não seja regado a finais de conferência ou uma aparição no Super Bowl, mas jogar em Kansas City pode não ser o fim do mundo como muitos pintam.

Mesmo com uma campanha horrível de 2-14, os Chiefs mandaram seis jogadores para o Pro Bowl, um a menos que o New England Patriots, ou seja, existe talento na equipe. Caberá a Andy Reid, contratado para o lugar de Romeo Crennel, organizar a casa. E a limpeza começa com a chegada de Smith para o posto de QB titular. Para se ter uma ideia da bagunça em Kansas City, quatro jogadores lideraram o ataque nos últimos dois anos: Kyle Orton, Matt Cassel, Brady Quinn e Tyler Palko – o último foi o adversário de Alex no Fiesta Bowl de 2005. Juntos, eles somaram nove vitórias, 23 derrotas, 21 touchdowns e 38 interceptações.

Aparentemente, o Kansas City resolveu uma parte da equação após a negociação com os 49ers. A franquia precisa se concentrar agora em montar um bom time ao redor de Smith, e o primeiro passo para isso deve ser recrutar o OT Luke Joeckel com a primeira escolha do draft. Renovar com Dwayne Bowe e trazer um segundo nome como Danny Amendola também seria ótimo, e vale lembrar que os Chiefs têm mais de US$ 21 milhões disponíveis no teto salarial, o que não significa que eles vão gastar essa grana toda, claro. Pelo chão, Jamaal Charles segue firme e forte.

O calendário de 2013 não está definido, mas os adversários estão, e, olhando de longe, agora, em fevereiro, eles não são assustadores. Em casa, os Chiefs recebem Indianapolis Colts, Houston Texans, Cleveland Browns, Dallas Cowboys e New York Giants, e como visitantes, pegam Washington Redskins, Philadelphia Eagles, Tennessee Titans, Jacksonville Jaguars e Buffalo Bills, além dos seis confrontos de divisão contra Denver Broncos, San Diego Chargers e Oakland Raiders. É prematuro falar em playoffs, mas uma campanha de 8-8 não é inalcançável.

O que eu acho que acho

(Foto: AP Photo/Marcio Jose Sanchez)
Smith se junta a outros QBs dos 49ers que foram para os Chiefs (Foto: Marcio Jose Sanchez/AP)

Apesar de ter a primeira escolha do draft, o Kansas City avaliou que seria um desperdício gastá-la com um QB que não está pronto para ser titular e decidiu apostar – e apostou alto – no melhor quarterback disponível via free agency. Duas escolhas de 2ª rodada – especula-se que a segunda, no draft de 2014, seja deste nível – é bastante para um jogador taxado de “game manager” apenas. Pelo visto, os Chiefs não quiseram correr o risco de perder Smith para a concorrência, como Cleveland Browns e Arizona Cardinals, e jogaram pesado para garantir a marmita.

No Missouri, Smith terá a estranha sensação de déjà vu. Pela segunda vez na carreira, ele chega como o salvador da pátria em um time que teve o pior retrospecto da última temporada. É a chance de começar do zero, só que o camisa 11 tem agora 80 jogos de experiência nas costas, e inclua aí uma final de NFC – é bom que isso sirva para alguma coisa. Fora dos campos, ele foi muito elogiado pela forma como lidou com a situação no ano passado, leia-se ser mandado para o banco, então pode ser que novo reforço dos Chiefs seja, acima de tudo, um líder nos vestiários.

O casamento com Reid, um dos grandes responsáveis por ter feito Donovan McNabb um QB acima da média nos Eagles, tem tudo para dar certo. O sucesso de Alex nos últimos dois anos se deve à visão de Harbaugh em identificar os pontos fortes e fracos do jogador, concentrando seu jogo nos fortes, óbvio. Mas Harbaugh continua em São Francisco, então é papel de Reid dar continuidade a esse trabalho. Smith não é o cara que corre meio campo ou lança bombas de 60 jardas, ele é a combinação de eficiência no passe + poucos turnovers, duas coisas que os Chiefs não viram em seus quarterbacks no ano passado.

Curiosidade

Alex Smith será o 5° quarterback na história dos 49ers a defender os Chiefs. Vieram antes dele Steve DeBerg, Joe Montana, Steve Bono e Elvis Grbac. DeBerg teve 28 TDs e apenas quatro interceptações em 1990, Montana chegou à final de conferência em 1994, Bono foi aos playoffs em 1995 com a melhor campanha da AFC e Grbac teve uma ótima temporada em 2000, conquistando o Super Bowl no ano seguinte com o Baltimore Ravens. Parece que a história está a favor de quem sai do San Francisco rumo a Kansas City.

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