Q&A sobre Garoppolo nos 49ers

Garoppolo deixa os Pats após três temporadas e meia como reserva de Brady (Foto: Winslow Townson/AP)

Jimmy Garoppolo está oficialmente de saída de Boston. Pouco menos de oito meses após ter sua conta no Instagram invadida e usada para publicar uma falsa despedida do New England Patriots, o quarterback agora está saindo para valer e terá como nova casa a ensolarada Califórnia, terra natal do ex-companheiro de time Tom Brady, onde passa a defender, pelo menos no restante da temporada 2017, o San Francisco 49ers. Em troca, os Patriots recebem a escolha de 2ª rodada dos 49ers no draft de 2018.

Às vésperas do prazo de trocas da NFL acabar, Patriots e 49ers tomaram decisões que já vinham sendo esperadas de uma forma geral: New England resolve de vez a situação envolvendo Garoppolo, enquanto San Francisco espera ter resolvido a dúvida sobre quem vai comandar o ataque de Kyle Shanahan no futuro. Ainda assim, muita gente se pergunta por que os Patriots se desfizeram daquele que seria o sucessor de Tom Brady ou por que Garoppolo iria para uma equipe que não ganhou nada em 2017…

POR QUE TROCAR JIMMY GAROPPOLO?

1. Contrato e poder de negociação no fim

No mundo ideal, é fantástico ter um ótimo quarteback titular e um bom quarterback reserva, tão bom a ponto de ele ser até titular em outros times. Na conta da bola oval, no entanto, ela não fecha. É preciso pagar. Garoppolo está em seu último ano de contrato e prestes a se tornar um free agent em 2018.

De acordo com a imprensa dos EUA, os Patriots chegaram a iniciar conversas com Jimmy para renovar seu contrato, mas isso exigiria pagar ao camisa 10 bem mais do que os US$ 3,04 milhões do acordo assinado em 2014, e o próprio jogador, sabendo que não seria titular enquanto Brady estivesse bem, teria dito que gostaria de tentar a sorte em outro lugar. Com isso, New England passou a ouvir propostas do mercado para averiguar o que conseguiria em troca por seu atleta.

Na época do draft, foi amplamente noticiado que o Cleveland Browns estava atrás de Garoppolo. O pedido dos Patriots, no entanto, era uma escolha de 1ª rodada, algo que os Browns não estavam muito dispostos a ceder. Moral da história: os Browns foram de DeShone Kizer e os Patriots viram seu poder de negociação perder força com o fim do prazo de trocas da liga. Se não negociassem o quarterback, a franquia poderia vê-lo sair do time em troca de uma escolha compensatória no draft. Era hora de agir.

2. Confiança no Giselão

Uma grande dúvida ronda Foxborough: quando Brady vai dar indícios de que ele não é mais o mesmo? Aos 40 anos, o marido de Gisele Bündchen segue jogando o fino e, por um instante, parece que aquele papo de que ele pretende jogar até os 40 e poucos não é só papo. Brady tem mais dois anos de contrato pela frente, e caso não ocorra uma renovação, este é o tempo que New England tem para encontrar seu sucessor.

3. Ninguém é intocável nos Patriots

Ao longo dos últimos anos, Belichick nos ensinou uma coisa: ele não tem apelo por ninguém e vai cortar o jogador, quem quer seja, se isto for ajudar o time – a única exceção é Brady, por [cinco] razões óbvias. Basta ver os atletas que deixaram os Pats, mesmo após irem bem: Jamie Collins, Logan Ryan, Jabaal Sheard, Chandler Jones, quase Malcolm Butler… E todos eram titulares. O técnico pentacampeão da NFL não vai hesitar em negociar um reserva.

POR QUE OS 49ERS?

Times que precisam desesperadamente de um quarterback não são exatamente um ambiente muito tranquilo, mas de todos os que se veem nesta situação, San Francisco é um que tem um plano bem definido em mente. Kyle Shanahan e John Lynch, head coach e GM, respectivamente, têm contrato para seis temporadas, o que garante uma estabilidade na franquia.

Os Niners sabiam que Brian Hoyer seria um tampão e devem ter chegado à conclusão, com base na atuação dos últimos dois jogos, que o calouro C.J. Beathard, não está pronto para assumir o time. Talvez nunca esteja. Ao invés de apostar em um jovem no draft de 2018 ou entrar no leilão por Kirk Cousins (falaremos dele mais adiante), a franquia optou por um caminho seguro e ousado ao mesmo tempo. Com Garoppolo sob o seu nariz, San Francisco poderá avaliá-lo de perto e concluir se ele é o cara do futuro ou não. Se for, um contrato na casa das dezenas de milhões de dólares estará em andamento antes do fim do ano.

Agora, sob a ótica dos Patriots, a transação mostra que há uma consideração com seu ex-camisa 10. Por mais que SF não tenha vencido nenhuma partida, Shanahan é uma das mentes ofensivas mais criativas da liga e pode ser a escada que a carreira de Jimmy precisa para decolar. Claro que há uma teoria rondando a NFL de que a intenção de Belichick nunca foi enviar o jogador para os Browns e por uma razão pessoal: ele foi demitido do clube em 1996.

O QUE ESPERAR DE GAROPPOLO NOS 49ERS?

Em primeiro lugar, os 49ers não têm nenhuma pressa em colocar o QB em campo. A temporada já está perdida e simplesmente não faz sentido acelerar a estreia, até porque o esquema de ataque de Shanahan é conhecido por não ser exatamente simples.

Não espere que Garoppolo seja o salvador da pátria em 2018. Ele é a primeira e mais importante peça de um quebra-cabeças que Lynch e Shanahan estão montando – com quase US$ 58 milhões de espaço no teto salarial, é esperado que os 49ers ataquem a free agency do ano que vem. Porra, então quando é que nós veremos o San Francisco tinindo? Se tudo der certo, da metade da temporada de 2018 em diante. A ver.

COMO A TROCA AFETA KIRK COUSINS?

A não ser que tudo dê muito errado, San Francisco está fora da briga por Cousins em 2018. O camisa 8 do Washington Redskins recebeu a franchise tag nos últimos dois anos – ele ainda pode receber pela terceira vez, o que lhe renderia um salário de mais de US$ 30 milhões. A ESPN The Magazine publicou em outubro uma reportagem sobre como o desdém da franquia pelo Capitão Kirk na época em que Robert Griffin III era o titular fez com que ele ficasse mordido com o clube, então eu não duvido que ele obrigue os Redskins a usarem a tag de novo.

Voltando às negociações, a ida de Garoppolo para os 49ers foi ruim para Cousins por dois motivos: primeiro, San Franciso era uma ótima opção para o quarterback por ele já ter trabalhado com Shanahan nos Redskins e ter sido bem-sucedido com o treinador; e segundo, a troca mostra que os 49ers preferiram se arriscar com um jogador que tem duas partidas como titular na carreira do que com um veterano que vem jogando com regularidade desde 2015.

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