Tóquio é luz, caos e organização

Populosa (37 milhões de pessoas em sua região metropolitana não é para qualquer um), Tóquio é um mar de muitas coisas. É um mar de gente, de luzes, de cores, de cheiros, de sons, de tradições, de inovação, de beleza, de caos, de eficiência e de organização. Tudo ao mesmo tempo.

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Dez dúvidas (respondidas) sobre viajar para o Japão

Aqui falaremos exclusivamente da capital nipônica, que até 1868 atendia pelo nome de Edo. Dúvidas sobre visto, internet, transporte, dinheiro e outros temas um pouco mais burocráticos podem ser tiradas no link acima – só clicar e ser feliz.


  • Chegando e voltando do Japão

Monte Fuji visto do avião; foi a única vez que o avistamos

Nosso voo (Air Canada por R$ 3.219) partiu de São Paulo por volta das 22h30 do dia 6 de novembro. Pousamos às 6h do dia seguinte em Toronto, no Canadá, onde ficamos por umas oito horas antes de embarcarmos rumo ao Japão. Aterrissamos em Tóquio às 17h do dia 8 de novembro, 30 horas após a decolagem.

Cara da derrota após 30 horas de viagem; estávamos indo para o hotel

A primeira dúvida é: descer em Haneda ou Narita? Tóquio tem dois aeroportos internacionais. Nós escolhemos o primeiro porque é menos afastado da cidade. Três coisas que você deve fazer ao desembarcar: pegar seu Japan Rail Pass (caso tenha adquirido), alugar um Wi-Fi portátil (pagamos 12.744 ienes*, ou R$ 396, por 14 dias) e o passe do metrô, com opções de 24h (800 ienes), 48h (1.200 ienes) ou 72h (1.500 ienes).

* A cotação é de 1 iene = R$ 0,0315.

Como ficaríamos seis dias, pegamos os passes de 72h e 48h, e no 6º dia ativamos o JR Pass de sete dias (US$ 269). Feito tudo isso (este processo nos tomou cerca de 1h30), você está livre. Para sair do aeroporto em direção à cidade, só pegar a Keikyu Airport Line (você pega no próprio saguão).

Já na volta, decolamos de Tóquio às 18h50 do dia 21 de novembro, chegamos às 16h45 do mesmo dia em Toronto (por conta dos fusos, você “volta ao tempo”) e por lá ficamos até umas 22h, quando a funcionária da Air Canada nos chamou pelo nome (fomos os últimos a embarcar – culpa do free shop). A viagem chegou ao fim no dia 22, quando tocamos o solo de Guarulhos um pouco antes das 12h.

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  • Onde ficar em Tóquio?

Li bastante sobre isso na internet – até porque Tóquio é gigantesca –, mas é difícil tirar uma conclusão sobre qual bairro é melhor para se hospedar. Uma ferramenta que é muito útil na hora decidir é o Google Street View; use-o para checar a vizinhança, ver se existem estabelecimentos por perto… Nós escolhemos Shinjuku.

Há uma rede hoteleira com dezenas de unidades na cidade e bons preços que se chama APA. Nós ficamos no APA Higashi-Shinjuku-Kabukicho (R$ 2.037,51 por seis diárias) e no APA Shinjuku Kabukicho Tower (R$ 386 por uma diária), a alguns quarteirões de distância, na última noite. Veja a localização dos dois abaixo.

APA Hotel Higashi-Shinjuku-Kabukicho:

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APA Hotel Shinjuku Kabukicho Tower:

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Ambos são próximos do metrô, e esta talvez seja a dica fundamental ao decidir onde ficar no Japão: fique em um local perto do metrô. Sobre os quartos, eles são minúsculos e quem tem mais de 1,80 m de altura pode ter dificuldades ao tomar banho. As reservas foram feitos pelo Decolar e não tivemos nenhum problema.

Não há espaço no quarto para duas pessoas arrumarem as malas ao mesmo tempo

Sobre Shinjuku, indico sem pensar duas vezes. É uma região movimentada, repleta de bares, lojas de conveniência, restaurantes, karaokê, farmácias, cafés suspeitos, arcade… Tem gente na rua até 1h, mesmo em dias de semana.


  • Andando por Tóquio

Mapa do metrô de Tóquio; clique para ver em tamanho maior (Foto: reprodução)

Com Wi-Fi em mãos, você se locomove pela antiga Edo com uma facilidade absurda. É abrir o Google Maps, colocar o destino e o aplicativo vai informar a linha de metrô que você deve pegar, os horários em que ele passa e em qual plataforma você deve ficar.

Se você adquiriu o passe citado acima, você está servido de 13 linhas e 278 estações do Tokyo Metro e do Toei Subway. Com esta malha é possível ir para praticamente todos os principais pontos turísticos da cidade, com exceção de um ou outro (vou deixar isso claro ao falar das atrações). Agora, se você NÃO adquiriu e planeja ir na raça, PRESTE ATENÇÃO ABAIXO.


  • Onde entra o Japan Rail Pass?

Se você vai ficar apenas em Tóquio, não vale a pena comprar o Japan Rail Pass. Sim, a JR opera linhas na cidade, incluindo aí a movimentada Yamanote Line, mas um passe de sete dias custa US$ 265 (ou mais de R$ 900). Somando tudo que eu e Catarina (minha namorada) gastamos com transporte em Tóquio (metrô, trem, dois Ubers e ônibus para o aeroporto na volta), deu 14.784 ienes, ou R$ 465 (R$ 232,50 para cada).

O Japan Rail Pass é uma boa se você usar o trem bala, que não é barato.


  • Comendo em Tóquio

Comer é bom. Comer viajando é melhor. Tóquio é um open bar de lugares para quem é bom de garfo. Do restaurante com o “melhor sushi do mundo” (tema do documentário “Jiro Dreams of Sushi“, disponível na Netflix) aos lanches exclusivos do McDonald’s de lá, sem esquecer das comidas de rua e das salvadoras lojas de conveniência.

Comecemos pelas lojas de conveniência. Você as acha, literalmente, em quase todos os quarteirões, e elas oferecem todo tipo de bebida e comida, de forma que se tornam boas opções para matar a fome em qualquer período do dia ou da noite. Nós gastamos 8.155 ienes (R$ 256) nestes estabelecimentos, consumindo principalmente nas redes FamilyMart e 7 Eleven (Lawson e Sunkos também são boas) – como o hotel não tinha café da manhã, o FamilyMart da frente era a saída.

Salada, wrap, frituras, carne… Lojas de conveniência são muito úteis

Comer sushi e sashimi no Japão é quase que uma obrigação. No entanto, restaurantes premiados vão te cobrar um rim. Uma opção mais em conta e bem honesta é o “sushi de esteira”, formato que não fez muito sucesso no Brasil. Fomos em dois, e eles operam de maneiras distintas.

No Numazuko (2.419 ienes = R$ 76), os niguiris são vendidos em dupla e cada cor de prato corresponde a um preço; ao final da refeição, a atendente soma o valor de todos os pratos que você pegou. Já no Genki Sushi (1.487 ienes = R$ 46), você escolhe o que vai comer em uma tela e em questão de minutos o prato chega até você via esteira. Em Tóquio também comemos lámen (dois por 1.680 ienes R$ 52 – no Zundou-ya), o tal okonomiyaki, uma panqueca na chapa que você mesmo faz (1.792 ienes = R$ 56) e, sim, fomos ao McDonald’s.  Lá eles têm hambúrguer de camarão e Fanta sabor melão.

Genki Sushi. Sim, eles têm sushi de hambúrguer
Sushi, lámen e okonomiyaki

Outro negócio que é mão na roda e com bom custo-benefício são os estabelecimentos nos quais você escolhe seu prato na máquina e entrega o cupom para a cozinha. Eles são muito frequentados pelos japoneses, mas não precisa ter medo se você não fala japonês, visto que a comunicação é mínima. Um prato de arroz com quatro camarões empanados saiu por 510 ienes (R$ 16) no Komoro Soba.


  • Compras em Tóquio e no Japão

O Japão não é o paraíso das compras. Redes como a American Eagle Outfitters podem ter preços atraentes, mas esta não é a regra, como geralmente ocorre nos EUA. A dica que eu dou é: levem uma mala pequena ou média apenas para trazer comida e bebidas. Nós trouxemos saquês, doces e chocolates, principalmente Kit Kats, que nunca vimos por aqui, e olha que frequentamos a Liberdade. Demos uma suada para encaixar tudo entre as roupas.


  • Passeios por Tóquio

Os passeios estão na ordem em que aconteceram. Como escrevi que compensa mais comprar o passe do metrô, listei as estações DE METRÔ mais próximas de cada atração e o respectivo preço dela.

1. OMOIDE YOKOCHO

Omoide Yokocho

Quanto custa: nada (exceto se você beber/comer).
Estação mais próxima: Shinjuku (linha Marunouchi).

Depois de deixar as malas no hotel e de um merecido banho, saímos em busca de algo para comer. É incrível como a atmosfera de Kabukicho, com seus letreiros exagerados e iluminados, te fazem esquecer o cansaço da viagem, independentemente do local ser conhecido como o “red light district” da cidade. Em questão de minutos chegamos ao nosso primeiro ponto turístico: Omoide Yokocho.

Dezenas de botecos, ou izakayas, dividem espaço neste disputado beco. O ideal é ir à noite, mas tenha paciência porque os bares são bem pequenos e acomodam menos de dez pessoas. Sentamos em um, comemos seis espetos, ou yakitori, e uns aperitivos por 1.700 ienes (R$ 53). Em outra ocasião, mandamos um ten-tama soba (macarrão, ovo cozido e vegetais empanados) no Kameya por 420 ienes (R$ 13). Bom e barato.


2. TEMPLO SENSO-JI e SANTUÁRIO ASAKUSA

Templo Senso-ji e, ao fundo, o santuário Asakusa

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: Asakusa (linhas Asakusa e Ginza).

Este é um dos pontos mais visitados de Tóquio e com razão. Você inicia o passeio pelo belo Kaminari-mon (Portal do Trovão), que te leva para o Nakamise-dori, um calçadão cheio de lojinhas de lembranças, roupas, comidas… Ao fim desta ruazinha fica o templo Senso-ji, e atrás dele está o santuário Asakusa, acompanhado de um pagode (torre) de cinco andares. Nós chegamos bem cedo e tivemos a sorte de caminhar tranquilamente por lá, ainda que as lojinhas estivessem fechadas; assim que elas abriram, tomamos o primeiro sorvete de chá verde da viagem (350 ienes ou R$ 11).


3. TOKYO SKYTREE

Turistas no primeiro ponto de observação da Tokyo Skytree

Quanto custa: 2.060 ienes por pessoa (R$ 64).
Estação mais próxima: Oshiage (linhas Asakusa e Hanzomon).

Coloquei as estações mais próximas da Tokyo Skytree, mas se você fizer como nós e estiver vindo do Senso-ji, é uma caminhada de menos de 2 km, passando por cima do rio Sumida, de onde você tem uma visão bem legal da torre de 634 metros.

São dois pontos de observação abertos aos turistas, um a 350 metros de altura e outro 100 metros acima; o acesso ao ponto mais alto te custa mais 1.030 ienes. A visão do primeiro deque já é muito boa, então não vejo necessidade de pagar mais. É de lá de cima que você tem uma noção do tamanho desta cidade; Tóquio simplesmente parece não ter um fim no horizonte.

Se você estiver com fome, no prédio que fica no pé da torre funciona um shopping com uma praça de alimentação. Compramos dois empanados (porco e lula), uma pequena bandeja de sushi, um suco de laranja e uma Coca-Cola por 2.315 ienes (R$ 72).


4. CRUZAMENTO DE SHIBUYA

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: Shibuya (linhas Ginza, Hanzomon e Fukutoshin).

O suposto cruzamento mais movimentado do mundo fica em Shibuya. Dizem que até mil pessoas passam pelas cinco faixas de pedestres desta interseção ao mesmo tempo, o que não me parece um exagero. É muita gente mesmo.

E é ali, em uma das calçadas do cruzamento, que fica a estátua de Hachiko, o cão que esperou por mais de nove anos, sempre na porta da estação de Shibuya, pela volta de seu falecido dono. Mundialmente conhecido após o filme “Sempre ao Seu Lado“, com Richard Gere, Hachiko morreu em 1935 e foi enterrado ao lado do dono, o professor Hidesaburo Ueno. A pele do animal, entretanto, foi preservada e reveste uma réplica que se encontra exposta no Museu Nacional de Ciência, em Tóquio.


5. HARRY – HEDGEHOG CAFE

Quanto custa: 3.030 ienes (R$ 95) por 30 minutos.
Estação mais próxima: Harajuku (linhas Chiyoda e Fukutoshin).

Tóquio tem uma série de cafés temáticos. Monstros, gatos, corujas, porcos-espinhos… Decidimos ir no dos porquinhos. O esquema é o seguinte: você paga uma taxa e tem direito a alimentá-los e brincar com eles por um tempo determinado.

Sentamos em torno de um “aquário” com quatro bichinhos. Eles comeram as larvas que demos e só. Apenas um parecia interessado em nós; os demais ficavam dormindo e tão logo eram pegos já se encolhiam e adotavam aquela posição de barriga para cima. Uma das funcionárias do café nos disse que eles são noturnos, o que explicaria o sono deles. Perguntamos se isso não é ruim; ela respondeu que não.

Hedgehog Cafe

Agora, não é preciso trabalhar no Animal Planet para saber que não deve ser bacana ser manipulado de um lado para o outro no horário em que você deveria estar dormindo. Eu e Catarina saímos arrependidos do café.


6. MERCADO DE TSUKIJI

Vendedor corta um naco de atum nas ruas ao lado do mercado de Tsukiji

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: Tsukiji (linha Hibiya).

Cada um faz o roteiro que quer, mas deixar o Mercado de Tsukiji de fora é foda, e visite enquanto ainda há tempo porque ele está de mudança! A nova sede do maior mercado de peixes e frutos do mar do planeta será em Toyosu, a alguns quilômetros de distância, e está prevista para ser inaugurada em outubro deste ano, de acordo com o governo.

A atração mais conhecida do mercado é o leilão de atuns, mas tenha muita calma nessa hora. Eles começam às 5h, são apenas 120 visitantes permitidos por dia e, segundo o que li e vi no YouTube, aconselha-se chegar no meio da madrugada, entre 3h e 4h, para garantir seu lugar. O metrô ainda não abriu neste horário, ou seja, dependendo de onde você estiver hospedado, ir de táxi ou Uber pode sair bem caro. Your call…

O leilão de atum é a atração mais conhecida, mas não é a maior. A maior mesmo é a comida. Nas ruas em torno do mercado funcionam inúmeras barracas e restaurantes que servem o que há de mais fresco no mundo marinho. Nós comemos tamago (é uma omelete – 100 ienes ou R$ 3,15), enguia no espeto (200 ienes ou R$ 6,30), kaisendon (tigela de arroz branco com os frutos do mar e peixes mais frescos do dia) + missoshiro (3.110 ienes ou R$ 97) e mochi com doce de feijão e morango (300 ienes ou R$ 9,45).

Kaisendon com arroz, ovas de salmão, ouriço, camarão, enguia, salmão e vários tipos de atum

Omelete não é fruto do mar, mas é um aperitivo famoso por lá. Não achamos nada demais, ou nada que justificasse a fila para comprar. Sobre o kaisendon, eu descobri que ouriço-do-mar, que é uma iguaria na gastronomia, não é para mim. Eu quase vomitei.

Tamago, enguia e mochi com morango

7. PALÁCIO IMPERIAL e KITANOMARU PARK

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: Otemachi (linhas Marunouchi, Tozai, Chiyoda e Hanzomon).

Uma das entradas do Palácio Imperial

Lar do imperador do Japão e de sua família, o palácio imperial de Tóquio é fechado para o público, mas os jardins do leste podem ser visitados, exceto às segundas-feiras e sextas-feiras. Demos azar de estar lá bem em uma sexta.

Não entramos nos jardins do imperador, mas tivermos a sorte de entrar no parque Kitanomaru. A ideia era só cortar caminho até nosso próximo destino, o santuário mais polêmico do país, e o que encontramos foi o atalho mais belo de todos os tempos.

Lá ainda encontramos uma senhora que estava com duas amigas e se ofereceu para tirar uma foto nossa. O resultado está na galeria de fotos ao final do texto.

Durante a época da cerejeira, as águas que circundam o parque (não é exatamente um rio) são tomadas por canoas com turistas. Depois faça uma busca no Google aí. As fotos são sensacionais.

Parque Kitanomaru

8. SANTUÁRIO YASUKUNI

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: Kudanshita (linhas Shinjuku, Hanzomon e Tozai).

Polêmico, controverso, ofensivo. O santuário Yasukuni causa discórdia e ira de países vizinhos quando chefes de Estado, como o premiê Shinzo Abe, visitam o local. Por quê? Porque Yasukuni lembra os mais de 2,4 milhões de soldados e civis que deram as vidas pelo Japão, incluindo mais de mil condenados por crimes de guerra. Para “melhorar” esta situação, dentro deste montante há 14 criminosos “classe A”, todos da Segunda Guerra Mundial; sete foram executados e seis morreram na cadeia. Só gente do bem.

Sobre o santuário em si, é uma construção relativamente simples, e o que mais chama atenção de quem passa por lá são os dois (de três) portais que levam para Yasukuni: o gigantesco Daiichi Torii, com 25 metros de altura, e o Daini Torii, o maior do país feito em bronze.


9. SANTUÁRIO MEIJI

Uma das entradas que levam ao santuário Meiji

Quanto custa: nada.
Estação mais próxima: depende de qual entrada você usar.

Para nós, este é o lugar mais bonito de Tóquio. Destruído durante a Segunda Guerra, mas reconstruído nos anos 50, o santuário Meiji é uma homenagem ao imperador Meiji e sua esposa, a imperadora Shoken. Foi durante seu reinado (1867-1912) que o Japão se modernizou e tornou-se uma das maiores potências mundiais.

Há mais de uma entrada para o santuário; nós usamos a que fica próximo da estação Kita-Sando (linha Fukutoshin), cujo início se dá com um belo portal de 12 metros. Após o torii, damos de cara com um caminho escoltado por árvores que parecem intocadas há décadas. A atmosfera é de uma paz e serenidade que impressionam.

Torii no santuário Meiji

Um dos pontos que mais gostei é um “paredão” de barris de saquês envoltos em palha e com diversas inscrições e desenhos. Todos são doações em homenagem à memória do casal que reinou no país há mais de um século. Se você gosta de fotografia, divirta-se.


10. MIRAIKAN e ILHA DE ODAIBA

Quanto custa: 1.240 ienes por pessoa (R$ 39).
Estação mais próxima: Telecom Center (linha Yurikamome – paga à parte).

O Museu Nacional de Ciência e Inovação, também conhecido como Miraikan (significa ‘hall do futuro’), é uma de algumas atrações na ilha de Odaiba. Para chegar lá é preciso pegar a linha Yurikamome, que não está inclusa no passe do metrô e também não é operada pela JR, caso você esteja usando Japan Rail Pass. Nós fizemos a baldeação pela estação Toyosu, na linha Yurakucho; as passagens de ida e volta custaram 1.280 ienes (R$ 40,32).

Diferente de muitas atrações no Japão, o museu e a ilha são bem tranquilos. Chegamos, compramos os ingressos e já entramos. Além do show diário do Asimo, robô da Honda, o grande destaque do museu é o Geo-Cosmos, uma esfera composta por mais de 10 mil placas de LED e que mostra o clima na Terra em tempo real.

Asus, Geo-Cosmos e robótica no Miraikan

Saindo do Miraikan, existem três shoppings nos arredores do museu: DiverCity Tokyo Plaza, Venus Fort e Odaiba Decks. Na frente do primeiro fica a famosa estátua/robô em tamanho real (19,7 metros) do Unicorn Gundam, enquanto no terceiro (não fomos ao segundo) fica um espaço meio louco chamado Daiba 1-chome Shoutengai. Segundo o site oficial, este ambiente simula uma cidade japonesa dos anos 60, o que não explica nada porque tem de tudo ali: arcades, lojas de lembranças, de doces e até, acredite, um museu do bolinho de polvo.

Miraikan à parte, a ilha de Odaiba é uma boa opção para quem está atrás de compras e entretenimento. São três shoppings, dezenas de lojas, restaurantes, museu de cera (há quem goste), uma “cidade de games” da Sega (Joypolis)… Sem correria e sem caos.


11. TOKYO TOWER

Tokyo Tower

Quanto custa: 900 ienes por pessoa (R$ 28,35).
Estação mais próxima: Akabanebashi (linha Oedo).

Inaugurada em 1958, a Tokyo Tower – ou Torre de Tóquio – lembra a Torre Eiffel, e é para lembrar mesmo, uma vez que é inspirada na primogênita francesa, sendo, inclusive, alguns metros mais alta, apesar da imponência não se repetir aqui. Decidimos ir à noite porque já tínhamos visto a cidade do alto de dia, mas confesso que a visita deixou um pouco a desejar.

Em primeiro lugar, o primeiro deque de observação, a 145 metros de altura, não te dá uma senhora vista. Há um segundo deque, 100 metros mais alto, mas para ter direito a subir nas duas plataformas é preciso desembolsar 2.800 ienes (R$ 88,20) – estava em reforma quando fomos.

Em segundo lugar, algum gênio inventou de montar uma exposição no primeiro deque e as luzes refletiam nos vidros. Resumindo, era quase impossível fotografar sem os tais reflexos… Nossa sorte é que uma vista “mais limpa” nos aguardava não muito longe dali.


12. NEW YORK BAR

Tomando um Manhattan em Tóquio

Quanto custa: depende do que você consumir.
Estação mais próxima: Tochomae (linha Oedo).

Eu acho que em toda viagem existe um momento em que você se permite ir um pouco além do que está acostumado, seja com um passeio ou refeição especial. Nas viagens anteriores, esse momento se traduziu em experiências gastronômicas. Foi assim que decidimos conhecer o New York Bar. Para os amantes da sétima arte, é neste bar onde os personagens de Bill Murray e Scarlett Johansson se conhecem no filme “Encontros e Desencontros“.

Filme “Encontros e Desencontros” no New York Bar (Foto: reprodução)

Só que antes é preciso relatar o sufoco que foi chegar. Nosso Wi-Fi morreu no caminho e a única coisa que eu sabia é que o bar fica no topo de um Hyatt. Com um GPS mais para lá do que para cá, chegamos ao Hyatt Regency. Erramos. Com ajuda do Wi-Fi alheio, chegamos ao Hyatt certo, o Park Hyatt, a três quarteirões de distância. A cena no saguão foi a seguinte: muitos elevadores, muitos turistas e todo mundo sem saber para onde ir. Perguntei para um segurança e ele conduziu nós e os demais turistas até o elevador certo.

Como era de se esperar, havia fila. A recepcionista nos informa de que há uma taxa de couvert de 2 mil e poucos ienes; assentimos e esperamos. Esperar não é um problema porque foi um caos chegar e porque esperar enquanto você observa Tóquio do 52° andar é foda.

Bom, uns 15/20 minutos depois, sentamos. O ambiente é de “bar de velho” com jazz ao vivo e uma vista espetacular da cidade, a esmagadora maioria dos clientes é formada por turistas e executivos (arrisco dizer que éramos os mais jovens), os garçons falam bem inglês, mas o barulho só permite entender uns 15% do que eles realmente falam.

Sobre comida e bebida, tudo impecável. No fim, 16.578 ienes (R$ 522,20) por: uma água, um drinque, um hambúrguer de wagyu, um ceviche, dois couverts e serviço. Se não me falha a memória, foi o único lugar em que pagamos serviço – o Japão não tem a cultura de cobrar gorjetas.

Hambúrguer de wagyu no New York Bar

Na volta, mais uma história de como é estar no Japão. Com Wi-Fi morto e o horário já batendo meia-noite, tínhamos duas opções: ir embora antes do metrô fechar ou ficar mais um pouco e andar 2,3 km até o hotel. Decidimos ir caminhando. Olha, a sensação de segurança é absurda, ao menos em Shinjuku. O único problema era o vento gelado espancando nossas caras.


13. AKIHABARA

Bonecos à venda em loja de Akihabara

Quanto custa: só se você comprar algo.
Estação mais próxima: Akihabara (linha Hibiya).

Sem a menor sombra de dúvidas, este é o paraíso para consumidores de cultura pop em geral. São lojas atrás de lojas, algumas com oito andares, que vendem relíquias, como os bonecos clássicos dos Cavaleiros dos Zodíaco e jogos de Game Boy, até os últimos lançamentos da Kotobukiya, que custam pequenas fortunas. Para quem é fã de games, animes, mangás, action figures, é um destino obrigatório. Sua cabeça vai explodir. Seu bolso também. Por incrível que pareça, a galera não é muito fã de Funko Pop, não.


14. HARAJUKU

Quanto custa: só se você comprar algo.
Estação mais próxima: Harajuku (linhas Chiyoda e Fukutoshin).

Diiizem que Harajuku é o berço da moda japonesa e, quiçá, do mundo. Nós até vimos uma galera vestida de maneira alternativa – coloquemos assim –, mas é difícil saber se é estilo ou é um povo querendo aparecer (um garoto estava com roupas de gari).

Takeshita-dori em Harajuku

A atração do bairro é a rua Takeshita, um calçadão no melhor estilo Tóquio: muito neon e abarrotado de gente. Lojas de grifes dão lugar aos brechós, mas quem está na moda mesmo no região mais fashion da cidade não são as lojas de roupas, mas as de crepes.

Não compramos nem comemos nada, mas o passeio por Harajuku nos apresentou dois dos lugares mais inusitados em que já entramos. O primeiro se chama Condomania. Sim, trata-se de uma loja especializada em camisinhas. O segundo é o Kawaii Monster Cafe, criado pelo artista japonês Sebastian Masuda. Nossa ideia era entrar, conhecer, beliscar algo e sair, mas, para isso, você precisa pagar uma taxa de entrada (não lembro quanto é) e cada pessoa deve pedir um prato principal. Demos meia volta e partimos.

Kawaii Monster Cafe (Fotos: reprodução/Instagram/@kawaiimonstercafe)

15. DISNEY

Quanto custa: 7.400 ienes por pessoa (R$ 233).
Estação mais próxima: Maihama (linha Keiyo – é operada pela JR).

Deixamos a Disney para segunda-feira achando que seria menos cheio. Ledo engano. A Disney nipônica foi o segundo parque mais visitado do conglomerado (17,3 milhões de visitantes em 2014), perdendo só para o Magic Kingdom (19 milhões), de acordo com um levantamento chamado Theme Index.

Tenha em mente duas coisas antes de entrar no parque: tudo é caro e tudo tem fila.

Multidão para ver a parada da Disney

Dito isso, chegue cedo. Nós chegamos às 10h e fomos embora às 22h, horário em que o parque fecha as portas. A estação Maihama, da linha Keiyo (operada pela JR), te deixa na porta do gol, e a baldeação para quem tem o passe do metrô comum pode ser feita na estação Shin-Kiba, da linha Yurakucho. Passagens de ida e volta custam 640 ienes (saindo de Shin-Kiba).

Esta foi minha primeira vez em qualquer Disney, então eu não tenho noção de tamanho. É possível percorrer todas as dependências do parque (percorrer não significa entrar nas atrações) em questão de 20/30 minutos. Catarina avaliou que ela é menos atrativa do que a versão californiana.

Disney de Tóquio

Sugiro que você se informe sobre o fastpass porque ele pode te poupar algumas boas horas de fila. Nós não nos atentamos a isso, ficamos umas duas horas esperando para entrar na Splash Mountain e acabamos desistindo. Com ajuda da chuva, que deu uma espantada no público, fomos nas seguintes atrações:

– Space Mountain (quase morri)
– Ferrovia Western River
– Jungle Cruise: Wildlife Expeditions
– Haunted Mansion
– Piratas do Caribe

Lembrando que ainda guardamos lugar por mais de uma hora para assistir ao festival de luzes do castelo da Cinderela; conversando com amigos que foram à Disney de Orlando recentemente, o show aparentemente é igual – acredito que a diferença está mais na reação do público (os japoneses, no máximo, batem palmas e de forma comedida).

Ficar 12 horas em um mesmo lugar implica em ter de encher a pança por lá. Almoçamos no Grandma Sara’s Kitchen (era o que estava mais perto) por 3.080 ienes (R$ 97,02) em duas refeições combo. À noite, após meu quase óbito na Space Mountain, comemos uns lanches bem qualquer coisa no Tomorrowland Terrace (1.880 ienes ou R$ 59,22). A ronda pelas lojinhas ficou para o fim, mas nos levou mais alguns milhares de ienes.

Meu combo à esquerda e o da Catarina à direita

Se você vai à Disney querendo não “gastar muito”, você é um animal. Este é um passeio que dura o dia inteiro e que te faz desembolsar sem fazer muito esforço uns R$ 500 por casal. Se você tiver mais de um dia dedicado ao parque, a galera recomenda visitar o Tokyo DisneySea, que fica ao lado e que é a 4ª atração mais visitada (14,1 milhões de turistas) no ranking que citei acima.


16. MUSEU DO SAMURAI

Quanto custa: 1.800 ienes por pessoa (R$ 56,7).
Estação mais próxima: Higashi-Shinjuku (linhas Fukutushin e Oedo).

Os becos de Tóquio são extremamente democráticos, com espaço para todo tipo de atividade. É no meio de casas noturnas, restaurantes e lojinhas de conveniência que fica o Museu do Samurai.

Inaugurado no coração de Shinjuku em 2015, o museu não é grande (são dois andares) e nem dispõe de um acervo enorme, mas conta de forma honesta o início, auge e o fim dos samurais, classe de guerreiros que defendeu o Japão por séculos e que até hoje é sinônimo de honra e dever.

Armaduras de samurais (algumas delas são originais)

Chegamos assim que o museu abriu, às 10h30, e tivemos a sorte de contar com o tour guiado em inglês (sem custo adicional), iniciado às 11h, acho. Ficamos sabendo que os lendários samurais tinham, em média, entre 1,50 m e 1,60 m de altura e que usavam chifres nos elmos para disfarçar isso.

Por falar em elmos, visitantes podem vestir uma réplica para sentir como era usar essas armaduras. Só o elmo pesava uns 5 kg, segundo o guia, e a máscara, também de metal, dificulta a respiração. Agora imagine usar tudo isso montado em um cavalo no campo de batalha…


  • Partiu, Quioto!

Se você acompanhou nossa viagem por Tóquio até aqui, mantenha os cintos afivelados porque ela ainda não acabou. Da atual capital japonesa partimos para a antiga capital japonesa, Quioto, possivelmente o lugar mais espetacular onde já estive.


Galeria de fotos de Tóquio

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