Guia da rodada de wild card dos playoffs da NFL

AFC
Houston Texans x Buffalo Bills
Quando:
sábado, 4 de janeiro de 2020
Onde: NRG Stadium, em Houston (Texas)
Previsão do tempo: 21°C / 8°C (estádio aberto)
Que horas: 18h35 (horário de Brasília)

O que esperar do duelo:

O mundo espera que Texans e Bills, que duelam pela primeira vez em um mata-mata da bola-oval, joguem e que o vencedor não avance da próxima rodada, abrindo espaço para uma final de conferência envolvendo Ravens, Chiefs ou Patriots. Ainda assim, temos de falar sobre a partida que abre a pós-temporada.

De cabeça, o primeiro confronto para observar é entre DeAndre Hopkins e Tre’Davious White, WR e CB, respectivamente, e dois dos melhores (atualmente, White é um top 2, no máximo, disputando com Stephon Gilmore) em suas posições na liga. De 532 passes lançados pelos QBs dos Texans, 150 (29%) foram na direção de Hopkins, que teve uma queda de produção em relação aos dois anos anteriores, mas, ainda assim, superou 100 recepções e 1.000 jardas. Do outro lado, White lidera uma secundária que é top 3 em jardas aéreas e TDs passados cedidos.

A tendência é que Tre’Davious marque Hopkins, o que nos leva ao jogador que pode se tornar um fator decisivo: Will Fuller V. O WR, que vem tendo um 2019 atrapalhado por lesões, ganha seus duelos e é a arma em profundidade que Deshaun Watson precisa (o rating do QB vai de 89,8 para 104,3 com ele em campo). Com a promessa de uma boa marcação, devemos ver Watson trabalhando passes rápidos; Bills não marcam passes para RBs tão bem quanto marcam para WRs e TEs.

Do outro lado, temos Josh “vaca louca” Allen. O camisa 17 evoluiu, sim, mas ainda é a boa e velha montanha-russa humana da NFL. É bem possível que Houston faça Allen tentar ganhar o jogo com o braço e o mantenha no pocket, o que seria um problema a menos – Allen correndo com a bola (510 jardas e nove TDs) – para uma unidade que já não é a melhor defendendo a corrida. Segundo o Next Gen Stats, os Texans cedem 5,7 jardas por carregada quando o corredor vai por fora da linha de scrimmage, a segunda pior marca da liga. Os Texans contam (muito) com a volta de J.J. Watt.

Se der Houston, é mais uma pequena vitória para o técnico Bill O’Brien, que deu “all in” dias antes da temporada começar ao trazer Laremy Tunsil, Kenny Stills e Carlos Hyde e foi muito questionado. Se der Buffalo, será a primeira vitória da franquia desde 30 de dezembro de 1995. Josh Allen não era nascido.

Quem vence: HOUSTON TEXANS.


AFC
New England Patriots x Tennessee Titans
Quando:
sábado, 4 de janeiro de 2020
Onde: Gillette Stadium, em Foxborough (Massachusetts)
Previsão do tempo: 7°C / 1°C (estádio aberto)
Que horas: 22h15 (horário de Brasília)

O que esperar do duelo:

Vindo de uma derrota para um discípulo (Brian Flores), Bill Belichick pega outro pupilo no duelo de sábado à noite, Mike Vrabel, LB tricampeão com os Patriots no começo dos anos 2000. Os Titans, inclusive, são praticamente uma filial do New England, com SETE ex-patriotas além do técnico: Logan Ryan, Malcolm Butler, Dion Lewis, Cody Hollister, Jamil Douglas, o coordenador defensivo Dean Pees e o GM Jon Robinson.

Assim como no jogo anterior, teremos outro bom duelo de CB x WR, protagonizado por Stephon Gilmore, possível melhor defensor do ano, e A.J. Brown, que vem voando nas últimas seis semanas, com média de 4,2 recepções, 100,8 jardas e um TD por jogo. A tarefa de Brown não é simples, visto que Gilmore e J.C. Jackson não cederam TDs para recebedores sob suas marcações e ainda interceptaram oito bolas, mas DeVante Parker dá esperanças para o novato dos Titans após conseguir sete recepções e 119 jardas em cima de Stephon na surpreendente vitória do Miami Dolphins.

A.J. não será a única preocupação de Belichick. Tennesse conta com o líder em jardas terrestres da temporada, Derrick Henry (1.540 jardas e 16 TDs). Parar Henry é chave para os Titans. Se o camisa 22 estabelecer o jogo terrestre, será uma tarde longa para New England; no play action, Ryan Tannehill possui o melhor rating da NFL (143,3). Por falar em Tannehill, o QB encontrou sua redenção em Nashville e registrou os melhores números de sua carreira com os titãs, transformando este ataque em uma das unidades mais equilibradas e consistentes desde que entrou em campo.

Bom, e é chegada a hora de falar do elefante na sala. Tom Brady não está jogando bem. Ponto. Seus companheiros não pegam a bola (34 drops na temporada), Julian Edelman parece ser o único cara em quem Brady realmente confia e o aproveitamento de passes um pouco mais longos despencou. O Giselo conecta só 45,4 das bolas para dez jardas ou mais (22ª melhor marca da NFL) e tem um rating mortal de 81,9 quando lança para além dos números no campo, o 8° pior QB no quesito. Na temporada passada, Edelman e Rob Gronkowski assumiram a bronca; agora é Edelman e James White.

Tennessee não vence na casa dos Pats desde 93 – nesta época o time ainda se chamava Houston Oilers – e perdeu seis partidas lá desde então, mas o confronto tem tudo para ser parelho. Uma coisa que pode manter a seca viva é o fato de Greg Joseph, 4° kicker dos Titans em 2019, não ter chutado um field goal na temporada – foram nove pontos extras, todos convertidos.

Quem vence: NEW ENGLAND PATRIOTS.


NFC
New Orleans Saints x Minnesota Vikings
Quando:
sábado, 5 de janeiro de 2020
Onde: Mercedes-Benz Superdome, em Nova Orleans (Louisiana)
Previsão do tempo: 18°C / 8°C (estádio fechado)
Que horas: 15h05 (horário de Brasília)

O que esperar do duelo:

Depois de duas eliminações traumáticas (Milagre de Minneapolis e uma falta descarada não marcada que resultou em uma mudança nas regras), os Saints voltam aos playoffs e reeditam a épica final de dois anos atrás. Este é o 5° encontro entre as duas equipes nos playoffs, com ampla vantagem para os Vikings (3-1), embora o time “nórdico” não vença fora de casa em janeiro desde 2005.

New Orleans chega ao mata-mata com o ataque em dia: Drew Brees conectou 75,3% dos passes e lançou para 15 TDs em dezembro, cinco deles em cima da boa defesa do San Francisco 49ers (apesar de ter perdido aquele jogo), Alvin Kamara marcou quatro TDs nos últimos dois jogos e Michael Thomas bateu o recorde de recepções de Marvin Harrison, o que é uma péssima notícia para uma defesa que foi só a 25ª melhor cedendo jardas para recebedores – a ver quem marcará Thomas (se for Xavier Rhodes…).

A linha secundária do Minnesota precisará de uma mão da linha defensiva para dar uma segurada nos Saints. O problema (para os guerreiros do norte) é que Brees é o segundo QB que lança a bola mais rápido na NFL – 2,57 segundos do snap ao passe, atrás só de Andy Dalton, de acordo com o Next Gen Stats –, ou seja, muitas vezes quando a pressão chega, a bola já não está lá. Isso ajuda a explicar por que o camisa 9 sofreu 11 sacks em 12 jogos, menos de um por partida. A responsabilidade da pressão ficará com Danielle Hunter, Linval Joseph e Everon Griffen

Do outro lado, um eventual triunfo dos Vikings passa por Dalvin Cook. Autor de 1.654 jardas e 16 TDs, o running back é o coração deste grupo, embora esteja retornando de contusão e não tenha passado de quatro jardas por corrida desde a Semana 8. Um jogo terrestre decente facilitaria a vida de Kirk Cousins no play action, empatado com Lamar Jackson em TDs no PA, com 14, de acordo com o Pro Football Focus, e o 4° na NFL em rating (129,2) em jogadas assim.

Mesmo se Cook não for o fator decisivo, Cousins tem condições de segurar um tiroteio com Brees – Stefon Diggs e Adam Thielen (em especial o segundo) precisam aparecer. Na defesa, os Saints não têm Sheldon Rankng e Marcus Davenport, e viram a pressão no QB adversário cair de 7° para 18° sem os defensores. Cameron Jordan é o homem a ser parado pela OL dos Vikings.

Quem vence? NEW ORLEANS SAINTS.


NFC
Philadelphia Eagles x Seattle Seahawks
Quando:
sábado, 5 de janeiro de 2020
Onde: Lincoln Financial Field, em Filadélfia (Pensilvânia)
Previsão do tempo: 6°C / 1°C (estádio aberto)
Que horas: 18h40 (horário de Brasília)

O que esperar do duelo:

Este jogo poderia acontecer em algum hospital. Poucas equipes sofreram tantas lesões nesta temporada quanto Eagles e Seahawks. Philadelphia perdeu praticamente todas as suas grandes armas ofensivas e quase metade da OL, enquanto Seattle viu seus três RBs irem para a lista de contundidos, além de perder Duane Brown e não contar com Jadeveon Clowney como gostaria em 2019 – mas ele vai para a partida.

Foi com um bando de desconhecidos, muitos vindo do elenco usado apenas nos treinos, que Carson Wentz liderou a virada da maré na temporada, ainda que com vitórias em cima da péssima NFC Leste. No meio do bando de “zé ninguém”, fique de olho em Dallas Goedert, TE que vem fazendo um bom trabalho como substituto de Zach Ertz e deve ser o principal alvo de Wentz no dia, ainda mais que os Seahawks são o segundo pior time da NFL defendendo contra TEs em termos de jardas e recepções.

Outro que pode fazer a diferença é Boston Scott, dando continuidade ao seu fértil mês de dezembro: 350 jardas totais e quatro TDs. Diante de uma OL desfalcada, Clowney é a esperança dos Seahawks para derrubar Wentz.

Do outro lado, não há fórmula pronta para derrotar Russell Wilson. O camisa 3 liderou a corrida pelo MVP durante boa parte da temporada até ser ultrapassado por Lamar Jackson e é o “São Russell” do CenturyLink Field, prolongando jogadas e encontrando alvos fora do pocket como poucos. A secundária dos Eagles não é exatamente confiável contra WRs – 27ª em passes, 18ª em recepções e 28ª em TDs cedidos – e, além de ficar atenta com as rotas em profundidade de Tyler Lockett, precisa sufocar D.K. Metcalf. O WR e Wilson quase colocaram Seattle direito nas semifinais na rodada passada.

Quem vence? PHILADELPHIA EAGLES.

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