Guia do Super Bowl 54

Foto: reprodução (Instagram/@sportsillustrated)

SUPER BOWL 54
KANSAS CITY CHIEFS x SAN FRANCISCO 49ERS
Quando: domingo, 2 de fevereiro de 2020, às 20h30
Onde: Hard Rock Stadium, em Miami Gardens (Flórida)
Previsão do tempo: 22°C / 11°C
Árbitro: Bill Vinovich | Show: Jennifer Lopez e Shakira

100%. É assim que Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers vão para o Super Bowl 54, a grande decisão do futebol americano. Nesta sexta-feira (31), os times divulgaram seus relatórios de atletas contundidos e, adivinhe só, não há nenhum, de forma que os campeões da AFC e da NFC chegam com os elencos completos, o que só aumenta as expectativas de um jogo épico no Hard Rock Stadium.

A chegada dos Chiefs já era esperada. Em 2018, Patrick Mahomes II assombrou a NFL ao passar de 5 mil jardas, lançar 50 TDs e bater de frente com o New England Patriots na final da AFC, sendo eliminado na prorrogação. Na NFC, havia um sentimento, sim, de otimismo para 2019, principalmente com a perspectiva de um ano completo de Jimmy Garoppolo e os reforços na defesa, mas nem os torcedores mais otimistas esperavam uma campanha 13-3, a melhor da conferência, e a ida ao Super Bowl.

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Os 49ers possuem o elenco mais equilibrado, mas o melhor quarterback da atualidade defende as cores dos Chiefs (que são praticamente as mesmas dos Niners). Mahomes II vai encarar um pass rush faminto, talvez o melhor que ele já encarou até aqui, enquanto San Francisco, que não é favorito no confronto, terá de levar a campo um plano de jogo irretocável para gritar “é campeão” pela 6ª vez. Confira abaixo o que você deve observar na partida e o palpite de quem leva o troféu Vince Lombardi para casa.


🏈 Mahomes II x pass rush dos 49ers

Um confronto que será chave para o resultado da partida estará nas trincheiras, com o ótimo pass rush dos 49ers de um lado e Mahomes II do outro. Com uma DL repleta de escolhas de 1ª rodada, San Francisco pode se dar ao luxo de conseguir pressionar o QB adversário sem blitz, mantendo sete defensores na cobertura, e quando se joga contra um ataque como o dos Chiefs, cada marcador é essencial e pode fazer a diferença. Das 17 interceptações na carreira do camisa 15 desde 2018, 16 delas aconteceram quando a defesa tinha sete ou mais jogadores defendendo o passe.

Aos que apostam em um triunfo dos Niners, Nick Bosa é o nome que pode pintar como MVP, mas Dee Ford é o nome que pode iluminar o caminho para derrubar Mahomes II. Com ele em campo, a defesa californiana é melhor na pressão ao QB (34,2% x 22,7%), na relação de TD x INT (3-7 x 23-8) e no rating cedido (69,6 x 90,2). Além disso, Ford é importante também para compor o rodízio na linha defensiva e mantê-la, na medida do possível, fresca.

Agora, duas coisas que precisam ser consideradas é que Mahomes II não é um sujeito qualquer e SF teve dificuldades na temporada regular para segurar as corridas de QBs móveis (Russell Wilson, Kyler Murray e Lamar Jackson somaram 284 jardas com as pernas). A tendência é que os 49ers tentem manter o QB no pocket – de preferência com ele se fechando – porque quando ele sai do pocket, o cenário é o seguinte: a defesa recua com medo do passe e cede a corrida ou a defesa avança e toma um passe de 20, 30, 40 jardas que veio do além – ele é o melhor QB arremessando na corrida.

A OL dos Chiefs é a 17ª mais bem avaliada da NFL, segundo o Pro Football Focus, mas é também a 3ª melhor da liga em sacks cedidos, com 25. Parte disso é fruto da habilidade de Mahomes II de reconhecer a pressão e escapar; ele não é tão ágil quanto Jackson ou Murray, mas também faz estragos correndo com a bola. Simplificando, se Mahomes II pode ver você vindo, ele vai dar seu jeito, por isso é tão importante para San Francisco fechar o pocket em torno dele.

🏈 Passes em profundidade dos Chiefs

O duelo nas trincheiras citado acima é essencial porque ele pode definir o sucesso – ou não – do ataque aéreo de Kansas City. Andy Reid tem um grupo de velocistas de WRs, com Tyreek Hill de protagonista. Desde 2017, o Cheetah tem 21 TDs de 40 jardas ou mais, 13 jogadas de 50 jardas ou mais e 41 recepções que viajaram 20 jardas ou mais no ar para um ganho de 1.715 jardas e 15 TDs. Disciplinada, a defesa comandada por Robert Saleh é a melhor da liga contra as “big plays”, cedendo só nove recepções que viajaram 20 jardas ou mais pelo ar, de acordo com o NFL Next Gen Stats.

A dor de cabeça para Saleh é que os Chiefs não têm apenas Tyreek, como, por exemplo, Green Bay Packers basicamente só tinha Davante Adams de ameaça aérea. KC tem um TE top 2 da NFL em Travis Kelce e outros recebedores que podem ganhar duelos mano a mano com base na velocidade: Sammy Watkins (é mais rápido do que parece), Mecole Hardman e Demarcus Robinson – este trio soma 110 recepções, 1.660 jardas e 13 TDs. Seria como ter Tyreek, Kelce e um Michael Thomas dividido em três WRs. Se Mahomes II não for pressionado e tiver tempo, bota uns quatro TDs na conta dele.

🏈 Jogo ficará nos ombros de Garoppolo?

Chris Jones falou e os Chiefs não fazem nem questão de esconder: o objetivo da defesa é forçar Garoppolo a vencer a partida com seu braço, tão pouco usado nestes playoffs (17/27, 208 jardas, um TD e uma INT). Apesar do bom ano e de ter protagonizado um dos jogos mais eletrizantes da temporada, Jimmy é visto como o “elo frágil” do time por muita gente; dos 19 turnovers do camisa 10, 11 deles vieram em partidas nas quais o QB lançou 30 passes ou mais – você lança mais, você está mais suscetível a erros. Nas sete partidas em que passou de 250 jardas, contudo, Garoppolo está invicto (7-0), logo, é a melhor estratégia?

A estratégia de forçar a mão em Jimmy G. pode se dar de duas formas: parando o jogo terrestre de três cabeças (Tevin Coleman, Raheem Mostert e Matt Breida) da equipe californiana ou um início rápido de Mahomes II e cia, algo que não vem acontecendo na pós-temporada, diga-se de passagem, fazendo com que SF abra mão do plano A – 14 x 0 poderia obrigar Kyle Shanahan a passar mais e correr menos, cenário vivido na final da AFC pelo Tennessee Titans.

Parar o jogo terrestre de San Francisco está longe de ser uma tarefa simples. Shanahan usa movimentações pré-snap em 78,6% das jogadas para confundir a defesa e conta com um par de bloqueadores de luxo para ajudar a OL a abrir buracos: George Kittle e Kyle Jusczyk; com o TE no bloqueio, os Niners registram uma média de 5,6 jardas por tentativa nas corridas por fora da DL, sem ele, essa média cai para 3,3 jardas. Mostert, que vem de 220 jardas e quatro TDs contra os Packers, é o nome a ser observado, se você conseguir – o RB atinge 24,1 km/h em 28,7% das suas corridas.

🏈 Texugo do Mel

Mahomes II é, disparado, o principal candidato a ser MVP da final no lado dos Chiefs. Dependendo de como o duelo transcorrer, no entanto, um cara que pode despontar e brilhar é Tyrann Mathieu. Físico como poucos, o defensor é o atleta mais versátil – da NFL, talvez? – do domingo, podendo ser alinhado como safety (406 snaps nesta posição em 2019), slot cornerback (457), OLB (139), ILB (42) e cornerback nas laterais (18).

O Honey Badger deve marcar Kittle (que não tem sido muito acionado como recebedor no mata-mata porque não foi preciso), mas também pode se juntar ao front-seven para conter os RBs dos Niners – olho no camisa 32. Para aproveitar que estamos falando da secundária do KC, Mathieu, Charvarius Ward, Daniel Sorensen e Bashaud Breeland cedem um rating  combinado de 69,3. É uma boa linha, então vejo Shanahan tentando explorar mais a linha de LBs dos Chiefs com Kittle, os RBs e Deebo Samuel (pode ser o líder de jardas aéreas do time no duelo) quando tiver que lançar a bola.

🏈 Os sucessores de Gronk

No final de 2018, Kelce bateu o recorde de mais jardas recebidas por um tight end em uma temporada, com 1.336, superando as 1.327 jardas de Rob Gronkowski. O recorde durou 55 minutos. No mesmo dia, Kittle anotou 149 jardas, chegou a 1.377 e tornou-se o novo recordista. No Super Bowl 54, Travis e George são os homens de confiança de seus QBs, em especial nas situações de terceira descida. Hoje, eles são os sucessores de Gronkowski na liga e os dois melhores da posição, com o camisa 85 dos Niners um pouco à frente (na minha opinião).

🏈 Kickers também são gente

Em uma partida que tem tudo para ser muito parelha, kickers – “tenha compaixão com kickers”, inclusive, é o 11° mandamento da tabela – podem ter um peso no placar. Nos Chiefs, Harrison Butker, que desbancou Cairo Santos em 2017, é um dos chutadores mais confiáveis da NFL e acertou os últimos FGs que chutou. Nos 49ers, Robbie Gould teve altos e baixos, mas está com o pé calibrado há seis rodadas, convertendo todos os 14 FGs que tentou neste intervalo de tempo.


🏈 Os Chiefs vencem o Super Bowl 54 se… começarem o jogo com o pé afundado no acelerador, abrirem uma vantagem e forçarem os 49ers a passar mais, tirando deles o controle da partida, e se Mahomes II continuar pegando fogo, explorando a velocidade dos seus WRs em confrontos mano a mano (se a sua OL permitir). Kansas City é como o Golden State Warriors (na fase áurea), você pisca os olhos, eles fazem três cestas de três (ou TDs). Se San Francisco ficar duas, três posses seguidas sem pontuar, o caneco vai para Reid.

🏈 Os 49ers vencem o Super Bowl 54 se… enfiarem o forte ataque terrestre na goela dos Chiefs, ditando o ritmo da final e mantendo o ataque do Kansas City fora de ação, ao mesmo tempo em que Garoppolo trabalha o play-action (o camisa 10 vai soltar bem mais o braço). Já na defesa, Bosa, Ford, Arik Armstead e DeForest Buckner precisam brilhar e derrubar Mahomes II para evitar que ele queime a secundária. A pressão da DL também pode forçar erros, ainda que eles sejam raros, do camisa 15 – que tal uma interceptação de Richard Sherman para fechar a noite?


🏈 Quem vence o Super Bowl 54?

Na ESPN norte-americana, 68 de 108 (63%) especialistas consultados apostaram em uma vitória dos Chiefs, enquanto 40 creem em um triunfo dos 49ers. No site da NFL, o panorama é idêntico: 14 de 22 (63%) acreditam que Reid finalmente conquista o Super Bowl. San Francisco tem as peças, os técnicos e um plano de jogo para controlar o ritmo de jogo e amenizar o efeito Mahomes II. Meu palpite é nos 49ers.

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