Chiefs viram mais uma, encerram jejum no Super Bowl e coroam Andy Reid

Foto: reprodução (Twitter/@Chiefs)

SUPER BOWL 54
KANSAS CITY CHIEFS 31 x 20 SAN FRANCISCO 49ERS
MVP da final: Patrick Mahomes II
* assista aos melhores momentos 📽

50 anos depois, o troféu Vince Lombardi retorna para o Missouri. Com uma bela virada no 2° tempo, a terceira do time nesta pós-temporada, o Kansas City Chiefs derrotou o San Francisco 49ers no Super Bowl 54 por 31 x 20 e conquistou a vitória que muitos acreditavam que faltava para Andy Reid ter o nome eternizado em Canton. O técnico precisou esperar 21 anos para gritar “é campeão”, a maior espera na história da NFL.

MVP da final, Patrick Mahomes II teve uma noite de altos e baixos, sendo interceptado duas vezes em dois passes bem ruins, mas tirou inúmeras jogadas da cartola, incluindo aí uma bomba de 44 jardas para Tyreek Hill em uma 3ª para 15 enquanto eles perdiam por 20 x 10. Os Chiefs marcaram o TD nesta e nas duas campanhas seguintes. Damien Williams (133 jardas totais e dois TDs) foi a constante do ataque de Kansas City e não seria nenhuma injustiça ele ter sido o MVP do duelo.

Mas, como o jogador mais valioso é Mahomes II, o quarterback tornou-se o atleta mais jovem a ter um Super Bowl, um MVP do Super Bowl e o MVP da temporada regular no currículo. É difícil dizer qual é o teto deste sujeito de apenas 24 anos, o que é bom para KC e péssimo para os adversários da AFC Oeste, que terão de conviver com ele por um tempinho aí. Agora vamos aos destaques do SB54…


🏈 Chiefs têm um líder decisivo

Foi a maior noite da vida de Mahomes II como jogador, mas não foi sua melhor noite. A defesa dos 49ers pressionou o QB, acelerou a leitura, forçou passes ruins – dois deles foram interceptados –, fumbles (bola saiu do campo em um e o outro foi recuperado) e limitou os Chiefs a dez pontos após 51 minutos de partida. Só que a partida dura 60 minutos. Em uma 3ª para 15, a jogada do duelo, Patrick confiou na velocidade de Hill, soltou a bomba no último instante antes de DeForest Buckner chegar e mudou para sempre o clima da decisão. KC marcou o TD. Na campanha seguinte, Mahomes II bateu no peito: seis passes consecutivos, uma corrida, 70 jardas percorridas e o TD da virada. Kansas City perdia nas semifinais (24 x 0), perdia na final da AFC (17 x 7), perdia no SB (20 x 0)… No muque do seu quarterback, o time virou.

🏈 Andy Reid, de Miami para Canton

Andy foi o melhor treinador da noite. Em um dos maiores palcos do esporte mundial, o técnico foi para cima, passou a impressão de que confia mais no grupo que tem na mão do que seu colega do outro lado, arriscando – e convertendo – duas vezes uma 4ª para 1, chamando snaps direto para o running back e trazendo uma jogada direto do Rose Bowl de 1948 entre Michigan e USC para marcar o primeiro TD do jogo. É simbólico que o triunfo que restaria para cimentar seu nome no Hall da Fama tenha ocorrido sob os olhares de futuros companheiros – por conta das festividades dos 100 anos da NFL – em Canton (Ohio), onde estão os bustos dos imortais do futebol americano.

🏈 Damien Willians e a questão dos salários dos RBs

Quem diria que ao término do Super Bowl 54 os Chiefs teriam sete corridas A MAIS do que os 49ers… Depois de dois jogos em que Mahomes II foi o líder de jardas terrestres, KC equilibrou o ataque com Damien, dono de uma bela atuação: 133 jardas totais, 11 primeiras descidas, duas conversões de 4ª descida e dois TDs nos cinco minutos finais, incluindo um de 38 jardas que aniquilou toda e qualquer esperança dos 49ers. Williams estava em todos os cantos, deu uns olés em Kwon Alexander, estabeleceu a corrida e o fato de ele estar ao lado de Mahomes II no primeiro TD fez com que desse tela azul em Jaquiski Tartt ao decidir em quem avançar. Entendo a escolha do MVP, mas o prêmio poderia ter ficado com o camisa 26. Terrell Davis foi o último RB a conseguir tal honra ao anotar 165 jardas totais e três TDs no Super Bowl 32.

A noite de Williams – e a jornada de Raheem Mostert, é preciso destacar – nos leva à velha pergunta de sempre: vale a pena pagar uma fortuna para RBs estrelas? Os dois RBs não foram recrutados, tiveram um salário combinado de US$ 5,4 milhões em 2019, quase 1/3 do que o New York Jets pagou para Le’Veon Bell, e foram os dois principais corredores do Super Bowl.

🏈 É o fim do mundo para San Francisco?

A derrota de domingo machuca mais do que a do Super Bowl 47, mas é preciso superar a ressaca moral. Falando sobre Shanahan, não vejo nada demais em ir para o FG no 1° quarto, é bem questionável a equipe não ter corrido mais, algo que vinha funcionando, mas é inexplicável a decisão de não pedir tempo no final do 2° quarto para ter a bola de volta e pouco menos de dois minutos no relógio – John Lynch foi filmado no camarote fazendo sinal para pedir tempo. Com 20 segundos, os 49ers foram para cima, primeiro com um passe de 20 jardas para Jeff Wilson e em seguida com uma bomba de 42 para George Kittle, só que uma interferência de ataque (foi falta, mas a regra não é aplicada sempre) anulou o avanço e um possível FG de SF.

Falando sobre Garoppolo, ele teve altos e baixos ao longo da noite. Pressionado, ele pareceu querer jogar a bola fora, mas não botou força o suficiente e ela parou nas mãos de Bashaud Breeland. Depois disso, o camisa 10 fez valer o bom histórico pós-cagada e jogou bem, com os 49ers pontuando em três de quatro campanhas. No 4° quarto, a cobra fumou, a pressão bateu e o QB sentiu. Apressado, Jimmy G. ignorou Kittle livre, quase foi interceptado de novo e errou o passe para Emmanuel Sanders – que havia batido os DBs – que poderia ter garantido o título. Na derradeira 4° para 10, Garoppolo foi engolido e sacado por Frank Clark. Em grupo, há quem já fale em seguir em frente sem o QB, mas ainda é cedo. Uma segunda temporada permitirá avaliar se Jimmy é um Alex Smith 2.0: bom, porém, com teto limitado.

Falando sobre a defesa, a dependência da pressão da DL foi o ponto mais levantado ao longo da semana, e falando nisso, Bosa e Buckner jogaram muito; se os 49ers tivessem virado, o MVP provavelmente ficaria com Jimmy, mas a justiça seria feita se fosse para um dos defensores. Nos demais setores, houve problemas. Muitos tackles perdidos (só Kwon perdeu uns três), Sammy Watkins praticamente livre em todas as recepções e derrotas no mano a mano (Richard Sherman cedeu seis recepções em seis passes que foram na sua direção para 77 jardas e um TD, fora o olé que ele levou de Hill). O time se desmontou após aquela fatídica 3ª para 15.

🏈 O que esperar dos 49ers em 2020?

O grupo dos 49ers é jovem, talentoso e, apesar das críticas de agora, bem treinado por Shanahan e Robert Saleh, mas há questões a serem respondidas, a começar pelos free agents. De cara, Arik Armstead e Sanders devem ser prioridades, mas como a franquia tem US$ 13,8 milhões no teto salarial (dados do site Over the Cap), é possível que um deles use outro uniforme nesta temporada; Jimmie Ward, Emmanuel Moseley e Matt Breida são outros nomes que também ficarão sem contrato.

Fora a ressaca natural de ter perdido o Super Bowl, San Francisco terá ainda o desafio de jogar na, possivelmente, divisão mais difícil da liga. O Seattle Seahawks de Russell Wilson sempre gera problemas para os Niners, o Los Angeles Rams é um bom time e o Arizona Cardinals espera evoluir no segundo ano de Kyler Murray. Longe da divisão, a NFC é um ecossistema bruto. Aaron Rodgers e Drew Brees, dois QBs que estão entre os melhores da história, jogaram a decisão só uma vez cada, por exemplo.

🏈 O que esperar dos Chiefs em 2020?

Três jogadores com papéis fundamentais no Super Bowl podem seguir para o mercado: Chris Jones, Kendall Fuller (autor da segunda interceptação de Jimmy G.) e Breeland. Jones vem para quebrar a banca, mas será que os Chiefs vão conseguir acomodar seu futuro salário (teto do clube é de US$ 16,1 milhões)? E tem ainda a questão envolvendo Watkins, que declarou antes da final que considerava não atuar em 2020 se os Chiefs vencessem o título. Bem, eles venceram, e agora?

É possível que em algum momento de 2020 os Chiefs iniciem as conversas para manter Mahomes II, que entra no 4° ano de contrato em troca de US$ 2,7 milhões (o clube tem a opção do 5° ano com o QB sem ser obrigado a renovar ou utilizar alguma tag). É fato que o QB se tornará o jogador mais bem pago da liga quando as duas partes chegarem a um acordo. Já em campo, a AFC Oeste tem tudo para ser a nova AFC Leste se Patrick lapidar – se é que é possível – ainda mais seu jogo.


Foto: reprodução (Instagram/@ben_liebenberg)

🏈 As apostas para o Super Bowl 55

Faltam 366 dias para a próxima final, mas as casas de apostas já trabalham com quem estará no Raymond James Stadium no dia 7 de fevereiro de 2021. Os atuais campeões são favoritos a repetirem o feito, seguidos de Baltimore Ravens, 49ers, New Orleans Saints, New England Patriots (considerando que Tom Brady fica, imagino), Pittsburgh SteelersGreen Bay Packers e Dallas Cowboys. Do outro lado da corda, os times que ninguém bota fé são Cincinnati Bengals e Washington Redskins.

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